Prosas e Poesias

  • Vó Maria, não é a minha, mas é como se fosse!

    Que Surpresa!
    Quando a conheci, logo a vi cheia de vida e ligada, mãe de três filhas bem nascidas, tendo a educação e o estandarte da família, bandeira que resplandece glorias em suas gerações!

    Que Exemplo!
    É como a chama que nunca  apaga: os ossos não falam, o tempo é seu amigo, a atividade é intensa e, meio que boquiaberto, fico me perguntando....existe alguma formula ou és  predestinada a provocar mistérios entre nós?

    Que Vida!
    Na labuta do dia a dia, ocupando a condição de mestre, criou Marísia, Marília e Marilene. Como arquiteta da vida, realizou sua maior obra, seus netos Cintia, Rodrigo, Tatiana, Késsia, Caren, Hellen e Paulo Eduardo.
    Como forma de rebento, imprimiu na história o estatuto da comunhão, vendo desabrochar seus bisnetos André, Matheus, Arthur e Pedro.
    Para o escândalo daqueles que descasam cedo, ela prospecta sua ultima manchete, a nova safra de bisnetos Gabriela, Maria e Felipe.

    Que Esperança!
    És para mim como para todos, pois em sulcado nas tabuas da vida, esta mesma poesia!
    Tornou-se alvo e modelo para compartilhar algo que ainda é tacito no nosso meio.
    Receba do seu neto postiço estas palavras como presente do seu nonagésimo aniversário!

    Maria de Lourdes Santos, Feliz Aniversário!

    Ricardo Ivo 12/04/2013
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  • A Escolhida

    Através da leitura, iniciei uma viagem pelo Velho testamento e logo me deparei com a figura de Rebeca, esposa de Isaque.

    Dentro daquele contexto, percebi sua devoção pelo trabalho e disposição em constituir uma família. Traçando um paralelo com nossos tempos, constatei que conhecia uma de nome Tatiana - que, tal qual Rebeca, ainda entoava os mesmos dotes.

    Encontrei também uma chamada Sara, esposa de Abraão, que por registros foi a mulher escolhida por Deus para realizar seu projeto na terra. Da mesma forma, logo me veio à mente que Deus não só escolhe para Ele, mas escolheu para mim também, pelas inusitadas coisas da vida, aquela de nome Tatiana.

    Entrei então no capitulo de Ester e fiquei impressionado com a descrição da sua beleza e coragem ao realizar a obra redentora. As palavras beleza e coragem ficaram entoando até que deu um estalo: “Tatiana”.

    Quando meditei sobre Abigail, foi a mim relevada sua sabedoria, mas principalmente seu espírito de mansidão ao apaziguar a ira de Davi. Nem titubiei ao fomentar o termo espírito de mansidão e eleger de forma incondicional o nome Tatiana.

    Uma loucura veio quando conheci a esposa de Noé, leoa da casa, que manteve seus filhos fiéis até o fim quando todos pensavam que seu marido estava insano por construir um arca em tempos em que não havia chuva. Não vivi, mas consigo prospectar: Tatiana tipifica a esposa de Noé no mundo cosmopolita.

    A figura de Ana é impressionante, pois devotou o que mais amava para servir o Reino. Nego-me a escrever e logo imprimo: Tatiana.

    Ruth é impar, pois viu no Deus de Noemi a Salvação da humanidade e se manteve fiel a Ela mesmo sendo tratada com estrangeira. Ganhou o maior dos tesouros: seu nome escrito na genealogia de Jesus.  O meu descanso é fruto da mesma fidelidade de Ruth para com Noemi não tendo outro nome a não ser Tatiana.

    Finalizo com o nome de  Maria, bendita entre as mulheres, escolhida por Deus para gerar o menino esperado pelas nações. A exemplo do Criador creio em acertar em escolher a mais perfeita para gerar: meu filho.

    Ricardo Ivo - 17/2/2013
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  • O Mimo de Simara

    O mimo também é um transtorno no mundo pós-moderno.

    Ele, mesmo sem pedir, cobra de todos adivinhação.

    O mimo sempre julga os comportamentos e faz da inércia seu escudo.

    O mimo consegue transformar a poesia em caos e se tornar o centro das atenções.

    Mimosos são como coitadistas: não sabem que a autoridade é uma masmorra psíquica que asfixia o prazer, amordaça a liderança do “eu” e bloqueia a excelência emocional.

    Mimosos sempre têm dó de si mesmos. Dificilmente assumem falhas, constroem alicerces no vazio intelectual, não crescem diante da dor nem se fortalecem diante das derrotas.

    Mimosos fazem do sofrimento o tom da sua identidade: parecem ser os que mais sofrem no universo, os mais dignos de dó. Mas na verdade eles nunca falam de si.

    Mimosos anseiam e se comportam como únicos: seu sofrimento é o tom da vida, são os mais universais de todos os seres.

    Mimosos geralmente eliminam o “eu” como diretor do Script da história, tornam-se fatalistas que pouco regem, repensam e mudam suas rotas.

    É possível ver mimosos de perto bem como de longe.

    É possível também escutá-los, naquele chorinho que vem distante e quando perto torna-se choro; quando se afasta, o faz choramingando.

    Este é o mimo da educação pós-moderna: tem como desenvolvimento o ninho, enquanto deveria ser o céu!!

    Ricardo Ivo, 12/07/2012
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  • Hei Coronel, onde estás?

    Já se passaram dois anos que nos deixou. Sua mensagem fora de que a vida segue adiante, mas ainda buscamos referência?

    Será que tamanha conduta está relacionada às cicatrizes dos que ficam? Ou estamos todos longe de contemplarmos este mistério?

    Vejo que tua ausência sulca lacunas entre os amigos e familiares. Constato esforço enorme de todos para acostumarem se com essa perda. E a figura do patriarca? É legitimo tornar-se apenas um conto?

    Quão deve ser grata a terra por se tornar uma só matéria, quão deve ser difícil para o anjo responsável pelo registro de cada historia dar prosseguimento...

    És tão simples de sangue, completamente modesto, e ainda ecoa com veemência tantas lições de eternidade!

    Qual é realmente o objetivo: contemplar seu ensaio pela vida? Ou usar tal experiência sem fazer algum marco?

    É duro lembrá-lo, mas é lindo ter estado próximo a ti, e ter podido amá-lo!

    Ensina-nos do lugar do teu descanso a repetir tua linda historia, a ter o mesmo julgo sem peso, e ainda ser o grande protetor também das causas perdidas!

    Goteja em nossas vidas um pouco da tua ternura, do teu cândido olhar e, mais do que isso, exploda este amor maior, como forma de avivamento para que se faça diferença entre-nos!

    És tu, único de sentimento, foste exemplar quanto ao norte e és eterno quanto à vida!

    Minha busca diária, a minha forma de vida, é minha paixão, meu exemplo de gratidão!

    Meu querido vovô e paizão

    Ricardo Ivo Mendes de Carvalho Junior – 24/04/2012
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  • Homenagem de um neto a seu avô

    Queria eu nascer novamente para compartilhar intensamente todas as fases de minha vida ao lado do meu avô;


    Queria eu convidá-lo para andar descalço pelas ruas;

    Planejaria subidas a montanhas e até mesmo periódicos mergulhos em rios;

    Queria eu ter tido paciência de acordar pela manhã de domingo e esperá-lo ler todo o jornal no banco da praça e ainda ouvi-lo terminar suas histórias com o engraxate de sempre;


    Queria eu não só compartilhar com ele momentos bons, e também os ruins, para que eu provasse ainda mais sua ternura e compaixão;


    Queria eu ter deixado de lado as aventuras de minha juventude e tivesse aproveitado para sorver todo legado ao lado do meu avô em seu escritório;


    Queria eu não ter quebrado os padrões convencionais de meu tempo e sim observasse mais sua conduta reta e ilibada;


    Queria eu ter buscado nele respostas para minhas indagações, mesmo que não as absorvesse...

    Porque sei que seria referência para todas as minhas decisões futuras;


    Quisessem todos terem tido um avô como o meu, que aos noventa e três anos consumados, deu um testemunho de vida ao ponto de deixar marcado no fundo de minha alma, padrões básicos de vida social, familiar e sobre tudo espiritual.

    Seu Neto,

    Ricardo I. M. de Carvalho Junior - 26/03/2010
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  • Queridos Amigos de Escola

    No turbilhão de meus pensamentos,
    Navego de volta àqueles tempos
    Que, distantes, não voltam jamais,
    Mas que volta e meia, em instantes
    Me dão saudades tantas e demais!
     
    Tamanha sentimentalidade desabrocha
    Ao me lembrar do carinho de Carina Rocha,
    De Falcão, com suas poéticas desventuras,
    E André, é claro, de lentes sempre escuras...
     
    Invade-me, então, sutilmente a memória
    O querido Sú, sempre simpático e notório;
    As madeixas do Cacá, levemente arruivadas
    E as notas da Lú, exemplares e elevadas!
     
    Daqueles cílios do Cintião não me olvido...
    E como poderia, tendo-as conhecido,
    Esquecer-me de Elmi, por quem nutro tal apreço,
    E da doce Isaura, com quem tanto me pareço?
     
    Amiga Débora, tenho presente na lembrança
    Que o sol deitava uma áurea nuança
    Nesse cabelo teu espiralado e inquieto...
    Eis, confesso, admirava-o em secreto!!!
     
    Lembrei, de súbito, daqueles olhos verdejantes
    Da Renata Magalhães e, assim hoje como antes,
    Da leda amizade que a Haddad me ofereceu...
    Dela também o meu cuidar não se esqueceu.
     
    Partiste, cara Shirley, mas não dessas lembranças!
    Pois nesse mundo de vãs certezas e mudanças
    O que resta eternamente é o passado
    Desses queridos que tivemos bem ao lado...
     
    Marcus Vinícius, não era tua aquela usança
    De bailar numa tão hilária dança?
    É... aquele que a vida vive assim contente
    Da mente nossa não se apaga facilmente...
     
    A uns o Altíssimo enriquece na aparência,
    A outros, sem medida, na ditosa inteligência...
    Foi esse o caso de João Paulo, porque digo
    Que lembrar dele sempre a mim me obrigo!
     
    Lembrei! Lembrei das peripécias atrapalhadas
    Do Danimel e também das grandes gargalhadas
    Que arrancavam do mais sóbrio circunstante...
    Exceto de Louise, que corava rosto a todo instante!
     
    Não apenas os lacônios, gregos do passado,
    Se mantinham mudos; havia um também calado
    Por nome Josué, que fazia sua própria sabedoria
    Daquelas pouquíssimas palavras que dizia.
     
    Recordo bem onde cada qual sentava:
    Solange no canto destro sempre estava,
    A tal Leliam à esquerda, por preferência,
    E Polyanna tomava o centro como referência...
     
    Porventura me esqueceria da Meninha,
    Que de Thiany e Danielle era vizinha?
    Esta Danielle detinha a nobre fama
    Que o nome Cobianchi pra si reclama...
     
    Ao mesmo clã a Juliana pertencia,
    Que o caderno de anotações me fornecia!
    Queria inda ver de Ingrid o puro gesto
    Nesse tão saudoso rogo que manifesto...
     
    E da cara Harumi de ar sisudo e grave...
    Porquanto seriedade nunca foi entrave
    Pra qualquer alegre e doce amizade...
    Oh, sofro de todos vós cruel saudade!
     
    Mas não é esta a lembrança derradeira;
    Havia ainda um Juliano na última carteira,
    E Daniela Fabri com um sorriso largo e ledo...
    Ambos peças inesquecíveis desse enredo.
     
    Mas, quando na memória me pego viajando
    Vejo o Zé Arthur e como andava cortejando
    Não a sua, mas minha própria namorada!
    Pois nem todo amigo é constante camarada...
     
    Alguns, como eu, o namoro interromperam...
    Outros, ao contrário, a si mesmos se deram,
    Como Adhemar e Karina, trocaram olhares
    E que ainda jovens, encontram os próprios pares...
     
    Eis que a mente minha inda se aclara
    Por relembrar os “barracos” de Daniela Mara,
    E as muitas sardas que Talita tinha onde
    A roupa que vestimos não esconde!
     
    Lembro ainda do colega Moacyr Ligabo,
    São lembranças de que já não dou mais cabo!
    De Andréa Morais, tão adorável criatura...
    E de Carlos Henrique, que cômica figura!
     
    Débora Lousada... Nenhuma franja igual às dela!
    E Adriano, só pra lembrar que há fogo no Panela!
    As tais covinhas do Geléia eram marcantes...
    E as contendas, só com Gisele eram constantes!
     
    Mas, de tudo o que mais lembro e me apego
    Trata-se de uma musa que me cedeu todo chamego...
    Tamanhas marcas deixou nessa lembrança!
    Que divina recordação, que doce herança!
     
    Sim, só mesmo a memória é que me leva
    Ao seio dessa mais formosa do que Eva!
    Que na lembrança ainda vivo esse romance,
    Cada gesto, cada olhar, cada relance...
     
    Devo ainda relembrar aquelas que todo carinho
    Dispensaram-me nas agruras desse caminho...
    Como posso apagar dessa memória
    As irmãs Olga, Irene, Glorinha, Maria da Glória?
     
    Aos professores rendo, enfim, uma homenagem
    Que deles conservo sempre excelsa imagem...
    Do amável e paciente, do mais temido e bravo:
    André, Serjão, Lenita, Luiz Alberto, mestre Olavo,
     
    Márcio, Teacher,  Valêncio, Vera e Lino,
    Paulo Fenille, Maria Adélia e o divino
    Irmão Muniz, de quem a fé me pôs ao lado...
    A todos vós meu sempre e eterno obrigado!
     
    Ricardo Ivo Mendes de Carvalho Junior - 04/03/2009
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  • Reencontro

    Sim! Estes corpos se encontraram.

    Não no dobrar de uma esquina, mas em um típico restaurante italiano. Dá para acreditar?

    Quase quinze anos depois, pude contemplar aquele jeito meigo de ser.

    De repente me vi traído pela minha própria mente. Ela me levou para um passeio de jeitos, trejeitos, cheiros, fatos e emoções que desequilibraram meu ser.

    A vontade eterna de ficar sentado ao seu lado contrastava com o desespero de saber que aquele almoço estava por acabar.

    Algumas cenas afloraram em minha cabeça, perdi o chão: elas são maiores que eu!

    Tanta coisa a dizer, inúmeras para serem lembradas e quase que estagnado; o branco tomou conta de mim.

    Ao pedir-me o celular, toquei em sua mão. Percebi que sua temperatura era a mesma que a do meu coração. A diferença é que este estava sangrando.

    Até quando enfrentarei a labuta do dia e o frio da noite atrás deste modelo de felicidade?

    Na despedida, ambos um pouco envergonhados, gravei nas tábuas do meu coração sua voz!

    Sim! Ela é totalmente desejável.

    No centro daquela grande cidade fui em direção a um táxi; ao entrar naquele carro, o motorista perguntou: Senhor, para onde vamos?

    Com o olhar fixo nos meus olhos, o silêncio perdurou alguns segundos, até que respondi:

    Não sei, infelizmente não sei!

    Ricardo Ivo M. Carvalho Junior – 05/09/2005
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  • Antiga Namorada

    Romances vividos na juventude podem ter caráter meramente passageiro.

    Na verdade, não acredito muito nisso!

    Acredito que pessoas, quando marcadas por relacionamento, são como folhas secas que se juntam há muito tempo...

    Acredito que loucuras de um jovem fazem decisões erradas que só a história do tempo mostra tal realidade.

    Acredito que a vida é como uma rosa, e como Deus é cavalheiro nos permite relembrar momentos como este.

    Acredito que namoros que duram do ginásio ao colegial geram experiências intocáveis que dormem escondidas no fundo de uma alma.

    Acredito que sonhos são invadidos constantemente por lembranças antigas e que nos rodearão pra além... das bodas de ouro.

    Acredito que sentimentos são mascarados por novos empregos, novas cidades, novos relacionamentos, Só não acredito no extermínio deste fantasma!!

    Acredito que estes corpos, ao se esbarrarem no dobrar de uma esquina, experimentaram a dor de corações com gemidos inexprimíveis.

    Acreditem! Qualquer decisão no mundo real, seja ela em qualquer fase, tem um profundo significado e deve ser tratada com muito zelo e paixão, pois desencadeará sentimentos para o resto de nossas vidas.

    Ricardo Ivo  – 20/12/1999
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